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Movimentação portuária da Região Norte cresceu 12,85% em 2026

A movimentação portuária da Região Norte somou 24,2 milhões de toneladas no primeiro bimestre de 2026, alta de 12,85% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos. O avanço reforça a consolidação do Arco Norte como eixo relevante no escoamento da produção brasileira, sobretudo de grãos.

O crescimento foi puxado pelos granéis sólidos, que totalizaram 18,4 milhões de toneladas, com aumento de 15,28%. A soja liderou a movimentação, com 8,6 milhões de toneladas, seguida pela bauxita, com 4,1 milhões. O milho apresentou a maior variação, ao alcançar 3 milhões de toneladas, mais que o dobro do volume registrado um ano antes. Juntas, soja e bauxita responderam por mais da metade das cargas movimentadas na região.

A movimentação de contêineres também avançou, com 2 milhões de toneladas e alta de 15,8%. A carga geral somou 1 milhão de toneladas, crescimento de 4,5%, indicando leve diversificação das operações, ainda concentradas em commodities.

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O sistema portuário do Norte reúne cerca de dez portos públicos organizados e mais de quarenta Terminais de Uso Privado, segundo a Antaq. Entre os principais estão Porto de Vila do Conde e Porto de Santarém, além de estruturas privadas como o terminal de Itacoatiara. A capacidade instalada da região supera 150 milhões de toneladas por ano, com expansão em curso, especialmente no Pará, impulsionada por investimentos em transbordo e logística hidroviária.

As exportações acompanharam o ritmo da movimentação e cresceram 16,9% no período. Na navegação de longo curso, foram registradas 9,1 milhões de toneladas, alta de 11,9%. A cabotagem movimentou 2 milhões de toneladas, avanço de 7,9%.

Os terminais privados concentraram a maior parte das operações, com 17,1 milhões de toneladas, o equivalente a mais de 70% do total regional. Já os portos públicos somaram 7,1 milhões de toneladas, com crescimento de 19,3%, com destaque para Vila do Conde e Santarém, que ampliaram participação no escoamento de grãos.

A ampliação do uso do Arco Norte tem reduzido distâncias e custos logísticos para produtores do Centro-Oeste, ao deslocar parte relevante do fluxo antes direcionado aos portos do Sul e Sudeste. A tendência é de aumento dessa participação, diante da expansão da produção agrícola e da busca por maior eficiência no transporte até os mercados internacionais.

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Fonte: Pensar Agro

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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

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O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

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A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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