AGRONEGÓCIO

Ministro Fávaro trata com comissário da UE medidas para retomada das exportações de carne de frango

Nesta quinta-feira (10), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou de uma reunião de alto nível por videoconferência com o comissário de Saúde e Bem-Estar Animal da União Europeia (UE), Olivér Várhelyi. O encontro teve como objetivo discutir os próximos passos para a retirada das restrições impostas pelo bloco europeu às exportações de carne de frango brasileira, após a confirmação de um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no município de Montenegro (RS), em maio deste ano.

Ao destacar a importância da reunião, o ministro Fávaro reforçou a eficiência do sistema sanitário brasileiro e afirmou que o país já concluiu todas as medidas exigidas, tendo inclusive recuperado o status de livre da doença junto à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). “Não se trata de comemorar a crise, mas sim de reconhecer a oportunidade que tivemos de demonstrar a robustez do nosso sistema sanitário. Cumprimos todos os protocolos, controlamos o foco e, conhecendo os regulamentos sanitários brasileiros e europeus e sua equivalência – com as devidas particularidades -, venho solicitar formalmente o reconhecimento, também por parte da União Europeia, do Brasil como país livre da gripe aviária. Essa é a principal solicitação desta reunião”, afirmou Fávaro.

Leia Também:  BOI/CEPEA: Preços do boi se mantêm firmes, na casa dos R$ 340

O comissário Olivér Várhelyi agradeceu a transparência do governo brasileiro em relação ao surto e reconheceu a agilidade das autoridades na contenção da doença. “Como você sabe, nossas regras vão além dos parâmetros definidos pela OMSA. Ainda precisamos de informações adicionais sobre seu programa de vigilância. Trata-se de um procedimento técnico e rotineiro, aplicado de forma uniforme tanto a países terceiros quanto aos próprios Estados-membros da União Europeia”, explicou Várhelyi.

Ao final da videoconferência, o ministro Fávaro afirmou que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está mobilizado para atender às exigências adicionais da UE com a maior celeridade possível. “Saio satisfeito com os encaminhamentos da reunião e confiante de que, com o envio das informações complementares solicitadas, o Brasil terá seu status sanitário devidamente reconhecido pela União Europeia, permitindo a retomada plena das exportações de carne de frango”, disse o ministro.

Também participaram da reunião o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart; o secretário adjunto de Defesa Agropecuária, Allan Alvarenga; o secretário adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Marcel Moreira; o diretor do Departamento de Saúde Animal da SDA, Marcelo Mota; a chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social do Mapa, Carla Madeira e o adido agrícola do Brasil em Bruxelas/UE, Glauco Bertoldo.

Leia Também:  Artigo Sueme Mori: Ponte para o Oriente Médio*

Informação à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

Propaganda

AGRONEGÓCIO

Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

Leia Também:  Abertura de mercado para produtos agropecuários do Brasil na Indonésia

O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

Leia Também:  BOI/CEPEA: Preços do boi se mantêm firmes, na casa dos R$ 340

A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

política mt

mato grosso

policial

PICANTES

MAIS LIDAS DA SEMANA