AGRONEGÓCIO
Mapa promove debate sobre fomento às boas práticas para saúde e bem-estar animal
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por intermédio da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo (SDI), promoveu, nesta quinta-feira (22), na sede da pasta, em Brasília (DF), um fórum voltado ao tema “Boas Práticas para Saúde e Bem-Estar dos Animais como Estratégia de Inovação, Eficiência e Valor Econômico”, tema estratégico tanto para a sustentabilidade da cadeia produtiva, quanto para a agregação de valor econômico ao produto.
Em formato híbrido, o encontro reuniu os chefes das Divisões de Desenvolvimento Rural das Superintendências Federais de Agricultura (SFA) e servidores do Mapa para conhecer as ações de incentivo às boas práticas desenvolvidas pelo ministério e debater a necessidade de fomentar ações voltadas para a saúde e bem-estar animal. Foi discutido, ainda, o papel dos atores públicos e a importância do seu engajamento nessa agenda.
De acordo com o secretário da SDI, Pedro Neto, faz-se necessário ampliar a discussão da temática do bem-estar animal, promovendo, de forma transversal, a melhora na produtividade rural e a resiliência da produção agropecuária e da propriedade rural.
“O que fazemos aqui é olhar para o futuro, enxergando formas inovadoras de consolidar o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Mapa, que é fundamental para a agregação de valor e a sustentabilidade das cadeias produtivas, fortalecendo as boas práticas de bem-estar animal. Temos aqui a oportunidade de conversar sobre isso, de ouvir as melhores práticas, ver as inovações e avançar nesse tema que envolve fomento, regulamentação e fiscalização”, afirmou Neto.
A chefe da divisão Uma Só Saúde, do Departamento de Saúde Animal, da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa, Valeria Ferreira Homem, ressaltou a importância do fórum, que além de mostrar os esforços do Mapa em relação a melhorar os componentes, discute formas e processos para que se tenha sistemas mais resilientes, com animais saudáveis, com menos pressão sanitária e com condições de bem-estar para todos. “Esse é um trabalho conjunto voltado para promoção desse modelo de estado animal tão almejado”, complementou.
O que são boas práticas de produção animal
As boas práticas de produção animal consistem na adoção de melhores formas de manejo e sistemas produtivos que protejam a biodiversidade, aumentem a resiliência das propriedades rurais, melhorem o grau de bem-estar animal e contribuam para os objetivos da saúde única.
Informação à imprensa
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AGRONEGÓCIO
Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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