AGRONEGÓCIO
Fórum Nacional do Leite discute produtividade e modernização do setor
Brasília vai sediar, nos próximos dias 24 e 25, a 3ª edição do Fórum Nacional do Leite. O evento, que será realizado na sede da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) deve reunir produtores, técnicos, lideranças políticas e empresariais para debater caminhos de modernização da cadeia leiteira brasileira.
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de leite, com cerca de 35 bilhões de litros ao ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O setor envolve mais de 1 milhão de propriedades rurais e gera renda para aproximadamente 4 milhões de pessoas, consolidando-se como uma das principais atividades do agronegócio nacional. Apesar da relevância, enfrenta gargalos de eficiência, custos de produção elevados e forte concorrência internacional.
A proposta do Fórum é discutir soluções para esses entraves, conectando produtores, empresas e entidades do setor. Entre os temas em pauta estão a valorização do leite como alimento saudável, a atualização da legislação, estratégias de produtividade, crédito rural e sustentabilidade das fazendas leiteiras. O evento também contará com a presença de autoridades políticas ligadas ao setor agropecuário.
Promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), o encontro tem como mote “Nosso leite e suas histórias” e busca aproximar a cadeia produtiva de políticas públicas e novas tecnologias.
Serviço
Local: Embrapa – Brasília (DF)
Data: 24 e 25 de setembro de 2025
Outras informações clique aqui
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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