AGRONEGÓCIO

Em Portugal, ministro Fávaro realiza visita de campo em cooperativa e empresa de produção de azeite

Iniciou, neste sábado (7), a missão oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a Portugal, conduzida pelo ministro Carlos Fávaro, com o objetivo de aproximar as relações comerciais e do agronegócio entre os dois países.

A primeira agenda da missão foi a visita de campo à Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches e à empresa de produção e transformação de azeites, Lagar do Vale. A visita teve como objetivo a troca de experiências técnicas para o aprimoramento do controle de importação, produção e qualidade do azeite de oliva.

Na ocasião, o ministro Fávaro destacou a medida anunciada este ano para a redução de tarifas de importação para diversos produtos, dentre eles o azeite de oliva. “A boa relação comercial tem que ser de mão dupla: vá vender, mas esteja disposto a comprar também. E, em março, agora então, nós tomamos a decisão governamental de tirar a tarifa de importação de 9,2% para o azeite de oliva. Hoje, Portugal pode vender azeite para o Brasil com tarifa zero”, afirmou.

Ainda ressaltou que a missão ao país português abrirá novas oportunidades para Brasil e Portugal. “Uma das missões que o presidente Lula me deu foi a ampliação de novos mercados para os produtos da agropecuária brasileira e pediu para que isso se transformasse em oportunidades comerciais”, disse Fávaro.

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Em complemento, o secretário de Estado da Agricultura de Portugal, João Moura, evidenciou que há muitas possibilidades de negócios entre os dois países. “Olhamos para o Brasil como um grande país de oportunidade irmão, que possa nos ajudar não só na relação estreita que temos com a África, como com os outros países da Europa, e é isso que essa vinda do ministro Carlos Fávaro aqui pode traduzir”, expressou o secretário.

O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal da Secretaria de Defesa Agropecuária, Hugo Caruso, expôs que a visita do ministro Carlos Fávaro ao país português é de grande importância para o setor da olivicultura brasileira. “Foi possível ele verificar realmente a excelência da produção portuguesa de azeites, verificar como que isso também pode ser levado ao Brasil, que é um produtor recente de azeite de oliva que precisa trocas de experiências na área de produção. Então, quanto mais nós tivermos essa aproximação, esse setor também poderá ganhar com desenvolvimento e assim possamos aumentar a nossa produção”, afirmou.

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Brasil e Portugal têm diversos Memorandos de Entendimento assinados para a cooperação entre os dois países. O mais recente foi assinado em fevereiro deste ano, durante a visita do presidente da República Portuguesa e comitiva ao Brasil.

MISSÃO PORTUGAL

Ainda neste sábado, o ministro Carlos Fávaro e a comitiva do Mapa se reunirão com o embaixador do Brasil em Lisboa, Raimundo Carreiro.

Já no domingo (8), a comitiva visitará a Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, além da inauguração do estande do Brasil na feira.

Ainda, conjuntamente com o ministro da Agricultura de Portugal, conhecerão a fábrica de queijos da empresa Lactogal.

Informações à imprensa
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

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O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

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A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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