AGRONEGÓCIO
CNA reforça urgência na recomposição do orçamento do Plano Safra e na prorrogação de financiamentos de produtores afetados pelo clima
Brasília (21/02/2022) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, no Palácio do Planalto, de reunião para discutir ações para aumentar a competitividade do agro em 2022. O encontro aconteceu na sexta (18), com representantes da Casa Civil e da Secretaria de Governo da Presidência da República.
O ponto mais urgente solicitado pela CNA foi a necessidade de recomposição de R$ 5,7 bilhões de recursos no orçamento para subvenções na forma de equalização de juros do crédito rural. Deste volume, R$ 3 bilhões seriam para destravar a contratação de crédito na safra 2021/2022 e para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2022/2023.
A CNA está discutindo a recomposição destes recursos junto ao governo federal e parlamentares. A entidade também solicita R$ 2,7 bilhões para as renegociações, rebates e execução do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
No início de fevereiro, o Tesouro Nacional solicitou às instituições financeiras a suspensão de novas contratações de crédito rural com estes recursos. Com isso, os produtores estão sem acessar as linhas de crédito no plano safra vigente.
Este impasse, avalia a CNA, tem causado morosidade na adoção de medidas efetivas pelo Governo para ajudar produtores rurais que tiveram perdas expressivas na produção por conta de intempéries climáticas decorrentes do La Niña, que alcançou seu pico em dezembro e janeiro.
Há um mês, a CNA encaminhou ofícios ao Governo Federal solicitando medidas emergenciais aos produtores afetados pela forte estiagem e enchentes, como prorrogações nos financiamentos sem elevação da taxa juros, sem cobrança de taxas para reavaliação de crédito, linhas de capital de giro emergencial, entre outras ações.
Já no início de fevereiro, a Confederação encaminhou ofícios e realizou reuniões com o governo e Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para pedir a recomposição orçamentária para o plano safra. Outra ação ocorreu junto ao relator do orçamento, deputado Hugo Leal (PSD/RJ), justificando a necessidade de recursos para o crédito rural e as prorrogações.
Participaram do encontro o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Daniel Carrara, o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, o chefe da Assessoria Jurídica da CNA, Rudy Ferraz, o chefe da Assessoria de Relações Institucionais, Nilson Leitão, e a coordenadora de Relações Institucionais, Maisa Barbosa.
Do lado do governo, estiveram presentes: a secretária-executiva-adjunta da Casa Civil, Juliana Silveira – Secretária-Executiva Adjunta, o subchefe de Articulação e Monitoramento, Thiago Meirelles, o subchefe de Análise Governamental, Eduardo Aggio de Sá, e o secretária especial adjunto de assuntos Parlamentares da Secretaria de Governo, Ubiratan Leite.
Assessoria de Comunicação CNA
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AGRONEGÓCIO
Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita
O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.
Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.
O “ladrão silencioso” no pasto
Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.
O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.
A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.
Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.
A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.
Fonte: Pensar Agro
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