AGRONEGÓCIO

Chuvas no sul do Espírito Santo causam prejuízos de milhões na agricultura

Após semanas de fortes chuvas, estimativas revelam prejuízos astronômicos na produção agrícola do sul do Espírito Santo. Segundo a Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), as perdas ultrapassam os R$ 72 milhões. Os principais afetados são os produtores de café, especialmente nos municípios de Mimoso do Sul, Muniz Freire e Alfredo Chaves.

Para enfrentar a crise, a Seag anunciou medidas emergenciais. Em acordo com instituições financeiras, foram prorrogadas as parcelas de crédito rural e concedidos novos empréstimos com condições especiais aos produtores afetados. Linhas emergenciais de crédito foram disponibilizadas pelo Banestes e pelo Sicoob, com isenção de taxas de juros.

O secretário da Agricultura, Enio Bergoli, incentivou os produtores a procurarem apoio nos escritórios do Incaper ou nas secretarias municipais de Agricultura para orientações sobre prorrogação de parcelas de financiamento e acesso a linhas de crédito específicas.

As chuvas afetaram não apenas a cafeicultura, mas também a fruticultura, horticultura e a pecuária, especialmente a bovinocultura leiteira, devido às dificuldades de escoamento da produção.

Além dos prejuízos na produção agropecuária, estima-se que haja danos significativos na infraestrutura das propriedades afetadas, totalizando cerca de R$ 70 milhões em prejuízos adicionais.

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As equipes de manutenção da Seag estão trabalhando na limpeza e manutenção das vias rurais, com foco nos trechos mais afetados pelo desastre. Em parceria com a Secretaria de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano (Sedurb), máquinas e equipamentos estão sendo disponibilizados para auxiliar nas operações de limpeza e desobstrução das estradas rurais.

Apesar dos esforços, ainda há muito a ser feito para recuperar a agricultura e a infraestrutura afetadas pelas chuvas, representando um grande desafio para a região.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Governo define regras para exportações do agronegócio para a Europa

O governo federal detalhou as regras para uso das cotas tarifárias previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia, definindo como o agro brasileiro poderá acessar, na prática, os benefícios comerciais já em vigor desde 1º de maio.

As normas, publicadas pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), nesta segunda-feira (04.05), estabelecem critérios operacionais para exportação e importação dentro do novo regime. O objetivo é dar previsibilidade à aplicação do acordo, que ainda depende de ratificação definitiva pelo Parlamento Europeu.

O sistema de cotas atinge diretamente produtos centrais da pauta agropecuária brasileira, como carnes, açúcar, etanol, arroz, milho e derivados, mel, ovos e bebidas como cachaça e rum. São cadeias que passam a disputar um volume limitado com tarifa reduzida ou zerada. Dentro da cota, o produto entra com vantagem competitiva; fora dela, continua sendo exportado, mas com imposto cheio, o que reduz margem.

Esse desenho tem efeito direto na formação de preço ao produtor. Cadeias que conseguirem acessar as cotas tendem a capturar melhor valor no mercado europeu, enquanto operações fora desse limite ficam mais expostas à concorrência internacional. Como a distribuição seguirá, em regra, a ordem de solicitação, empresas com maior organização comercial, tradings, cooperativas e agroindústrias, terão vantagem na captura desse espaço.

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Outro ponto central é a exigência do Certificado de Origem, documento que comprova que o produto atende às regras do acordo. Na prática, isso eleva o nível de exigência dentro da porteira. Rastreabilidade, regularidade de entrega e padronização passam a ser condição para acessar os mercados com melhor remuneração.

Além de definir o uso das cotas, o governo atualizou as regras de certificação de origem. Entre os avanços estão a criação de um modelo específico de Certificado de Origem para o acordo com a União Europeia, a ampliação do uso do certificado eletrônico para mercados como o europeu e a Índia, a autorização de assinatura digital e regras mais claras para autocertificação. Também foi regulamentada a transferência de cotas entre empresas do mesmo grupo econômico, o que tende a dar mais flexibilidade às operações.

Embora as cotas representem uma parcela pequena do comércio, cerca de 4% das exportações, elas se concentram justamente em produtos de maior valor agregado. Isso aumenta a disputa dentro do próprio Mercosul e tende a diferenciar produtores integrados a cadeias exportadoras daqueles que operam fora desses arranjos.

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Para o produtor rural, o efeito é claro: o acesso ao mercado europeu passa a depender menos do volume produzido e mais da capacidade de atender exigências técnicas e comerciais. Quem estiver inserido em cadeias organizadas e conseguir cumprir esses critérios tende a capturar melhores preços. Quem não estiver, continuará exposto ao mercado tradicional, com menor poder de barganha.

Fonte: Pensar Agro

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