AGRONEGÓCIO

Ministro André de Paula participa de reunião da FPA e reforça diálogo com o setor agropecuário

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou de reunião promovida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com o objetivo de encaminhar demandas dos produtores rurais brasileiros. O encontro ocorreu nesta terça-feira (14), na sede da FPA, em Brasília (DF).

Na ocasião, o ministro André de Paula destacou a relevância da Frente Parlamentar e a importância do diálogo. “Reconhecer a importância da FPA é reconhecer que ela é a principal ponte entre o setor produtivo, o Legislativo e o Executivo. É compreender o espaço qualificado que ela representa na construção política e, sobretudo, reconhecer o valor que ela tem na estabilidade das políticas públicas”, afirmou.

O presidente da FPA, Pedro Lupion, ressaltou que o encontro busca fortalecer o diálogo e construir uma ponte mais consistente. “É fundamental avançar na melhoria do relacionamento institucional entre a Frente Parlamentar e o Ministério, visando maior alinhamento e efetividade nas ações. Não se trata aqui de abordar especificamente a agenda legislativa, mas sim de reforçar a importância da pauta regulatória, da política agrícola e da articulação política por parte do Ministério da Agricultura”, disse.

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Ainda, Lupion destacou pautas recorrentes debatidas na FPA, como crédito e acesso aos instrumentos de política agrícola. Além disso, os parlamentares participantes ressaltaram temas como endividamento dos produtores, Plano Safra, seguro rural, código florestal, programa de conformidade, defesa agropecuária, preços da produção e exportações, entre outros.

O presidente da FPA reforçou a necessidade de fortalecer o Plano Safra e ampliar o acesso ao crédito. “Precisamos reduzir a burocracia e garantir crédito efetivo ao produtor, especialmente diante de um cenário de juros elevados e endividamento crescente”, afirmou.

O ministro André de Paula destacou o papel institucional do Ministério e a necessidade de articulação dentro do governo. “O ministro de Estado trabalha de forma transversal, dialogando necessariamente com muitos ministérios. Estou disposto, no âmbito do governo, a funcionar como um verdadeiro advogado do futuro do setor”, afirmou.

Compuseram a mesa principal o secretário-executivo do Mapa, Cleber Soares; os secretários de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart; de Política Agrícola, Guilherme Campos; de Desenvolvimento Rural, Marcelo Fiadeiro; e o secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi. Também participaram o deputado federal e vice-presidente da FPA na Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim; a vice-presidente da FPA no Senado, Tereza Cristina; e a presidente do Instituto Pensar Agropecuária e presidente-executiva do Sistema OCB, Tânia Zanella.

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

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O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

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A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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