POLÍTICA MT
Após três anos, Lei do Transporte Zero pode ser revista ou extinta se metas não forem cumpridas
O deputado estadual Wilson Santos (PSD), membro titular da Comissão de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Recursos Minerais da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), sugeriu, nesta terça-feira (24), a mobilização de representantes das 22 colônias de pescadores do estado para avaliar os resultados da Lei Estadual nº 12.434/2024, conhecida como Lei do Transporte Zero. Com previsão de completar três anos de vigência em julho deste ano, a própria legislação determina a reavaliação obrigatória dos seus efeitos a partir desse período.
O parlamentar defende a realização de uma reunião ampliada ou audiência pública com a participação das colônias, para ocorrer em maio, cerca de 60 dias antes do prazo final, com o objetivo de verificar se as medidas previstas na lei foram efetivamente implementadas pelo Poder Executivo e quais os impactos foram gerados, especialmente nos municípios ribeirinhos.
Segundo Wilson Santos, o Observatório da Pesca da ALMT, que ele preside, já realiza levantamentos periódicos e identificou situações que ainda não foram efetivadas por parte da gestão estadual. Essa proposta foi criada como uma das prerrogativas da Lei Estadual nº 12.197/2023, conhecida como “Cota Zero”, e tem entre suas atribuições o acompanhamento legislativo, a análise de dados técnicos, a proposição de medidas e a interação com a sociedade, incluindo a realização de relatórios, divulgação de informações e promoção de debates públicos.
A Lei nº 12.434/2024 estabelece que, após três anos de vigência, sua continuidade dependerá de uma avaliação técnica baseada em indicadores como a melhoria das condições ambientais, o aumento dos estoques pesqueiros, a evolução do turismo de pesca no estado, a análise econômica da cadeia produtiva e a verificação das compensações financeiras aos trabalhadores do setor. Caso os resultados não sejam considerados satisfatórios, a legislação poderá ser revista, ajustada ou até mesmo revogada.
Além disso, a norma prevê uma série de ações por parte do Estado, como o incentivo à piscicultura com espécies nativas, incluindo o desenvolvimento de alevinagem e a implantação de tanques, com apoio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), bem como a recuperação de matas ciliares ao longo da bacia do Rio Cuiabá, com apresentação de projeto específico ao legislativo.
O deputado já se posicionou sobre a condução do Governo do Estado em relação à política de pesca, em que destacou que os pescadores profissionais seguem enfrentando dificuldades sem que as contrapartidas previstas na legislação tenham sido plenamente cumpridas. Conforme ele, a categoria tem suportado restrições significativas ao longo dos últimos anos sem o devido suporte governamental.
Diante desse cenário, Wilson Santos afirma que a reavaliação prevista na lei será determinante para o futuro da política de pesca em Mato Grosso. A proposta é consolidar os dados levantados pelo Observatório da Pesca e promover um amplo debate com os segmentos envolvidos, incluindo pescadores, comerciantes e representantes do turismo, para subsidiar a decisão sobre a manutenção, alteração ou possível revogação da legislação. Conforme previsto, após a conclusão dessa análise, o Poder Executivo deverá encaminhar à Assembleia Legislativa um projeto de lei com eventuais adequações na norma.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Nelson Barbudo critica tributação de insumos agrícolas e alerta para impacto no preço dos alimentos
Deputado afirma que aumento dos custos no campo pode chegar ao bolso do consumidor e cobra políticas que fortaleçam produção agropecuária
O deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT) fez duras críticas nesta terça-feira (11) à reoneração do PIS e da Cofins sobre insumos agrícolas e alertou que o aumento da carga tributária no campo pode produzir consequências que vão além das propriedades rurais, pressionando os custos de produção e, consequentemente, o preço dos alimentos.
A mudança decorre da Lei Complementar 224/2025, que promoveu redução de benefícios fiscais federais. Desde 1º de abril, produtos que anteriormente contavam com alíquota zero de PIS e Cofins passaram a sofrer incidência parcial das contribuições. Entre os insumos atingidos estão itens essenciais à atividade agropecuária, como fertilizantes e defensivos.
A questão foi amplamente discutida pelo parlamentar durante a realização da 32ª Expões-te, em Pontes e Lacerda, e em encontro com produtores rurais de Nova Mutum.
Para Barbudo, a medida ocorre em sentido contrário ao que o país deveria fazer para estimular a produção e contribuir para que os alimentos cheguem à mesa dos brasileiros a preços menores.
“Quando se aumenta o custo de quem produz, essa conta não desaparece. Ela percorre toda a cadeia e pode chegar lá na frente, ao supermercado e à mesa das famílias. Por isso, não estamos falando de um problema apenas do produtor rural. Estamos falando do bolso de milhões de brasileiros”, afirmou.
O parlamentar mato-grossense defendeu que o setor agropecuário seja tratado como estratégico para a economia e para a segurança alimentar do país. Segundo ele, medidas que encarecem fertilizantes, defensivos e outros componentes da produção precisam ser avaliadas também pelos seus possíveis reflexos sobre o consumidor.
“É contraditório dizer que queremos comida mais barata e, ao mesmo tempo, aumentar os custos necessários para produzi-la. O produtor já enfrenta preço de insumos, combustível, logística, juros e uma série de outros custos. O papel do governo deveria ser criar condições para produzir mais, com eficiência e competitividade”, declarou.
SEGURO RURAL – Barbudo destacou ainda a importância do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, que permite ao Governo Federal custear parte do valor do seguro contratado pelos produtores. Para 2026, o programa teve recursos bloqueados, reduzindo a capacidade de cobertura em um momento de forte instabilidade climática.
“Seguro rural não é privilégio. É proteção para uma atividade que depende do clima e que sustenta grande parte da economia. Quando uma safra quebra, não perde apenas o produtor. Perde o comércio, perde o transportador, perde quem presta serviço e perde toda a cidade que depende daquela produção”, ressaltou.
Segundo Nelson Barbudo, o Brasil deveria seguir o caminho oposto: reduzir custos, ampliar instrumentos de proteção e garantir segurança para quem investe e produz.
“Precisamos dar condições para o produtor plantar, investir e continuar produzindo. Isso significa crédito adequado, seguro rural forte, segurança jurídica e menos peso sobre os insumos. Quanto mais segurança existir no campo, melhor será para o abastecimento, para os empregos e para a economia”, defendeu.
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