AGRONEGÓCIO

CMN pode bloquear acesso ao crédito rural para produtores a partir de 2026

A partir de janeiro do próximo ano, propriedades rurais com áreas identificadas como desmatadas no sistema Prodes (Programa de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite) operado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais),  poderão ser impedidos de contratar financiamentos com recursos públicos. A determinação faz parte da Resolução nº 5.193 do Conselho Monetário Nacional (CMN), publicada pelo Banco Central, e estabelece um novo critério ambiental para a concessão de crédito rural em todo o país.

Criado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o sistema Prodes detecta o corte raso da vegetação nativa nos biomas brasileiros, principalmente na Amazônia e no Cerrado, por meio de monitoramento por satélite. A cada ciclo, ele emite alertas com base em imagens comparativas, identificando áreas onde houve perda de cobertura florestal. Esses registros, no entanto, não fazem distinção entre desmatamentos legais e ilegais.

Segundo dados oficiais, atualmente existem mais de 5,4 milhões de áreas com apontamentos ativos no sistema. Pará, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso lideram a lista de estados com maior número de registros. O impacto da nova medida deve ser mais sentido justamente nessas regiões, onde a agricultura empresarial depende fortemente de financiamentos para custeio e investimento.

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Especialistas alertam para o risco de produtores regulares, com licenciamento ambiental em dia, serem injustamente penalizados. Isso porque, como o sistema se baseia em análise remota de imagens, podem ocorrer erros de interpretação, duplicações ou registros sobrepostos a áreas legalmente desmatadas. Nesses casos, o produtor pode ter seu nome vinculado a uma suposta infração sem que haja, de fato, irregularidade.

A recomendação para os produtores é que façam uma checagem preventiva das suas propriedades junto ao sistema PRODES. Em caso de apontamentos, a orientação é reunir documentos legais de uso do solo e contratar laudos com georreferenciamento e imagens de alta resolução, preferencialmente emitidos por empresas especializadas ou profissionais habilitados.

O setor financeiro também deverá se adaptar. As instituições que operam crédito rural precisarão cruzar os dados de financiamento com os registros do PRODES antes de liberar recursos, o que deve exigir novos protocolos internos de análise ambiental.

A medida reforça a tendência de alinhamento do crédito rural com critérios socioambientais, seguindo exigências de sustentabilidade cada vez mais cobradas por investidores, bancos e compradores internacionais. No entanto, diante da complexidade técnica e da abrangência dos dados, a implantação prática ainda deve exigir ajustes e diálogo entre governo, setor produtivo e especialistas.

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Para os produtores, o recado é claro: a regularização ambiental precisa ser acompanhada também da revisão técnica dos dados que constam nos sistemas públicos. Sem isso, até quem cumpre a lei pode acabar barrado na hora de buscar crédito.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Feira Agro Nater Coop discute desafios do clima e mercado cafeeiro

Santa Maria de Jetibá (cerca de 80 km da capital, Vitória), no Espírito Santo, será o centro das atenções para o agronegócio entre quinta e sábado (16a e 18) desta semana. O Centro de Eventos Sofia Arnholz Berger recebe a 14ª edição da Feira Agro Nater Coop, evento que se consolidou como uma referência técnica e comercial para o produtor rural da região. A expectativa da organização é atrair cerca de 8 mil visitantes em três dias de programação.

O encontro tem como principal objetivo estreitar o relacionamento entre os produtores, especialistas e empresas parceiras. Segundo Denilson Potratz, presidente da Nater Coop, a feira vai além da exposição de produtos. “O foco é ampliar conexões, estimular negócios e contribuir para o crescimento sustentável do agro capixaba através da troca de experiências in loco”, afirma.

A programação técnica é um dos diferenciais do evento. Diante de um cenário de mudanças climáticas e novas regras fiscais, a feira aposta em temas que afetam diretamente o dia a dia do produtor. Entre os destaques, especialistas debaterão os impactos do El Niño na agropecuária, técnicas de cultivo protegido em estufas e o manejo da fusariose no café — uma preocupação constante para a qualidade da produção local.

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O mercado de café, pilar da economia de diversas famílias da região, também terá espaço com análises sobre as tendências de preços. Além disso, a avicultura será tema central, com foco na saúde intestinal das aves e na qualidade do esterco, refletindo a diversificação das atividades da cooperativa. A Reforma Tributária também entra na pauta do último dia de evento, para esclarecer como as novas regras podem incidir sobre a atividade rural.

Além da transferência de tecnologia, a feira conta com espaços voltados ao networking e áreas de convivência. Para incentivar o público, a cooperativa preparou sorteios de prêmios: cooperados e clientes cadastrados concorrem a uma motocicleta, enquanto compras acima de R$ 3 mil em produtos ou serviços dão direito a cupons para o sorteio de um automóvel.

A Nater Coop, com 61 anos de história e sede em Santa Maria de Jetibá, atua como o principal braço do agro no Espírito Santo. A instituição reúne mais de 25 mil cooperados e opera marcas reconhecidas, como Veneza, Rações Coope, Liva e Pronova, exportando para mais de 40 países.

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Confira o cronograma de palestras técnicas:

16 de julho (quarta-feira)

  • 14h: Clima, El Niño e os impactos no agro – Ivaniel Fôro Maia (Incaper)

  • 16h: Desafios e oportunidades no cultivo em estufa – Cícero Alexandre Leite (All Bright)

17 de julho (quinta-feira)

  • 10h: Vaniva: transformando o manejo da fusariose no café – Willian Bucker (Ufes) e Ronaldo Sakai (Sygenta)

  • 14h: Mercado do café: o que está movendo os preços? – Fernando Maximiliano (Stonex)

  • 15h30: Avicultura: o papel dos probióticos na saúde intestinal de poedeiras – Rafael Monteiro de Lima (Imeve)

  • 16h: Avicultura: aspectos que influenciam na qualidade do esterco – Fernando Rodrigues (De Heus)

18 de julho (sexta-feira)

  • 10h: Reforma Tributária: impactos para o produtor rural – Patrícia Ferreira Negris (Dickel Consultoria)

Fonte: Pensar Agro

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