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Governo Federal implanta Grupo de Trabalho para discutir propostas relacionadas ao endividamento dos produtores rurais gaúchos

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, nesta terça-feira (1º), no Diário Oficial da União, a Portaria nº 812, que institui o Grupo de Trabalho Interinstitucional com o objetivo de reunir informações e formular propostas relacionadas ao endividamento dos produtores rurais do Estado do Rio Grande do Sul, em razão das consequências decorrentes de eventos climáticos. 

O Grupo de Trabalho será composto por representantes do Mapa; da Casa Civil; dos Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e da Fazenda; do Banco Central do Brasil; do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); do Banco do Brasil; das Comissões de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal e de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados; do Governo do Estado do Rio Grande do Sul; da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA); da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); das Federações da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS); e da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). 

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A presidência do GT Interinstitucional será exercida pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e a secretaria-executiva ficará a cargo da Secretaria de Política Agrícola (SPA/Mapa), que prestará o apoio técnico-administrativo necessário ao funcionamento das atividades do grupo. 

Além disso, o grupo se reunirá, em caráter ordinário, quinzenalmente e, em caráter extraordinário, mediante convocação do presidente ou de 4/5 (quatro quintos) de seus membros. 

A portaria ainda determina que, após a publicação da designação dos membros, as atividades do grupo deverão ser concluídas no prazo de 120 dias. 

Essa medida faz parte do pacote acordado pelo ministro Carlos Fávaro em conjunto com a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), em abril deste ano. Além disso, no final de maio, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou as instituições financeiras a prorrogarem, por até três anos, as dívidas bancárias dos produtores rurais gaúchos, em razão dos prejuízos causados pela estiagem que atingiu diversos municípios do estado nos primeiros meses deste ano. 

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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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Pecuária brasileira ainda depende de vacinas importadas para evitar morte súbita

O mercado de sanidade animal no Brasil vive um desafio silencioso, mas de impacto direto no bolso do pecuarista. Dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, em julho, foram disponibilizadas 5,44 milhões de doses de vacinas contra clostridioses — grupo de doenças responsáveis pela “morte súbita” no gado. O que chama a atenção, porém, é a alta dependência de insumos vindos de fora: das doses ofertadas, 4,03 milhões (74,09%) são importadas, enquanto apenas 1,41 milhão (25,91%) possui fabricação nacional.

Para o produtor rural, o termo técnico “clostridiose” passa longe do vocabulário da lida, mas os sintomas são velhos conhecidos. No campo, essas doenças são temidas pela rapidez com que derrubam o rebanho, como a “manqueira” (ou mal do carvão), que causa inchaço muscular e morte em poucas horas, e o botulismo, associado à ingestão de toxinas em pastos ou rações contaminadas. Por serem fatais e não darem tempo para tratamento, a vacina é o único “seguro” eficiente para evitar o prejuízo total de um animal.

O “ladrão silencioso” no pasto

Embora o governo não consolide um censo de mortalidade animal por causa específica, estudos de sanidade animal apontam que as doenças clostridiais figuram entre as maiores causas de morte evitável no rebanho brasileiro. Em surtos não controlados, a mortalidade pode atingir de 5% a 10% de um lote em poucos dias.

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O prejuízo é um “ladrão silencioso”. O pecuarista raramente contabiliza a perda em estatísticas oficiais — o animal morre, é enterrado e o cálculo fica apenas na planilha da fazenda. Mas o rombo é severo: com um bovino de corte de qualidade valendo facilmente entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil, a morte de poucos animais em um surto elimina a margem de lucro de todo o lote. Soma-se a isso a perda do potencial genético, o investimento em nutrição e o custo operacional.

A alta dependência de importações, que hoje supre quase três quartos da necessidade do mercado, coloca o setor em posição de alerta. Qualquer entrave logístico ou burocrático na entrada desses insumos pode deixar o curral desprotegido no momento crítico da vacinação.

Ciente dessa vulnerabilidade, o Ministério da Agricultura tem intensificado a atuação junto aos laboratórios de insumos veterinários. A estratégia da pasta é dupla: estimular a ampliação das linhas de produção dentro do Brasil para reduzir a dependência externa e, simultaneamente, agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas importadas para evitar desabastecimento nas revendas.

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A meta de aumentar a produção nacional não é apenas uma questão de industrialização, mas de blindagem econômica. Com a pecuária brasileira sob constante pressão para elevar índices de produtividade e atender exigências globais de sanidade, a disponibilidade constante dessas vacinas é o que separa um ciclo produtivo rentável de um prejuízo incalculável pela perda súbita de matrizes e bezerros. Enquanto o setor tenta equilibrar essa balança, o mercado segue monitorando a oferta mensal, ciente de que, no campo, a prevenção é o único investimento que não admite atrasos.

Fonte: Pensar Agro

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