POLÍTICA MT
ALMT ouve população do Nortão e pressiona Energisa por investimentos
A Câmara Setorial Temática (CST) da Energia Elétrica realizou, nesta segunda-feira (23), em Alta Floresta, a segunda audiência pública com o objetivo de debater a qualidade do fornecimento de energia em Mato Grosso. O encontro reuniu autoridades, representantes do setor elétrico, produtores e população para discutir gargalos e propor soluções para o avanço da infraestrutura energética, especialmente na região norte do estado.
Criada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a CST busca fortalecer o diálogo entre usuários, concessionárias e órgãos reguladores, compartilhando informações técnicas e reforçando a fiscalização sobre os serviços prestados.
A primeira audiência foi realizada em Sapezal. A próxima e última reunião pública acontecerá em Confresa, no dia 9 de julho. Com base nas demandas colhidas, o relatório final será encaminhado à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), à Agência Estadual de Regulação (AGER), ao Ministério Público e à Energisa Mato Grosso.
O deputado estadual Faissal Calil (Cidadania), presidente da CST, destacou que o objetivo da audiência foi ouvir diretamente a população sobre os problemas enfrentados com o fornecimento de energia, inclusive da zona rural que chega a ficar mais de 24 horas com o fornecimento interrompido. “A gente precisa saber quais os principais problemas que a população tem enfrentado aqui no norte do nosso Estado, pois municípios como Carlinda, Nova Monte Verde, Nova Bandeirantes, Nova Canaã do Norte e Colíder também relatam falhas recorrentes no serviço”, avaliou.
Ele reforçou a importância da presença da Energisa e cobrou respostas objetivas e investimentos concretos. “Queremos saber quais os investimentos da Energisa aqui no Nortão e, é claro, melhorar o serviço, que tem bastante reclamação”, disse Faissal, ao alertar sobre os reflexos da má qualidade da energia na atração de empresas.
O parlamentar relembrou que, em 2024, a Energisa garantiu que a subestação local operava com 50% de folga e anunciou R$ 15 milhões em novos investimentos. No entanto, até o momento, não foram apresentados prazos nem metas claras, o que, segundo ele, reforça a necessidade de fiscalização.
Caso as melhorias não se concretizem, Faissal não descarta propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
“Se a concessionária não fizer os investimentos e o serviço não melhorar, teremos que fazer uma CPI. Seguiremos cobrando transparência, investimento real e respeito com o povo de Mato Grosso”, afirmou o deputado.
Representando a Energisa Mato Grosso, Luiz Carlos Moreira Júnior, assessor institucional, afirmou que a empresa tem respondido a todas as convocações e que Alta Floresta está apta a receber grandes empreendimentos. “Eu mesmo estive aqui há uns seis meses. Existiam demandas necessárias no município e vi todas sendo atendidas. Alta Floresta poderia duplicar de tamanho que conseguiríamos atender”, assegurou.
Luiz Carlos informou que a empresa investiu R$ 1,4 bilhão em 2023, e que, neste ano, o montante será de R$ 1,65 bilhão. Segundo ele, os investimentos são distribuídos em todas as regiões do estado. Também reforçou a necessidade de planejamento conjunto com empreendedores, para evitar atrasos nas obras e se dispôs a firmar parcerias com o município. “A orientação é que nos procurem no início do empreendimento, para que a gente possa fazer todo o planejamento e entregar energia no prazo”, explicou.
Falta de infraestrutura limita crescimento econômico – Para o prefeito de Alta Floresta, Chico Gamba (União), o modelo de rede implantado no passado contemplava o consumo doméstico, mas atualmente não atende à demanda gerada pelo crescimento econômico do município.
“Hoje temos uma bacia leiteira, oficinas, armazéns, secadores e grandes lojas. A demanda aumentou muito e as redes não estão preparadas, principalmente na zona rural”, considerou Gamba. Ele também apontou falhas na rede urbana, que enfrenta dificuldades para suportar o volume de novos empreendimentos comerciais.
“Temos hoje cerca de 30 armazéns construídos nos últimos anos. Sabemos que existe a chegada da energia na subestação, mas as redes de distribuição não estão adequadas para esse atendimento. Na zona rural, quando as pessoas querem investir em uma indústria, como uma fábrica de ração, a energia não chega da forma que deveria. Isso emperra o desenvolvimento da região”, lamentou o prefeito.
Da mesma forma, o presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira (CIPEM), Ednei Blasius, também representando a Federação das Indústrias de Mato Grosso (FIEMT), reforçou que o problema energético atinge todo o estado. “A indústria do setor, não somente aqui, mas no estado todo, tem uma carência muito grande de demanda de energia”, avaliou.
Blasius citou que Mato Grosso possui mais de 700 indústrias de base florestal, sendo o terceiro setor que mais exporta no estado, mas que o potencial de expansão está limitado pela precariedade da infraestrutura energética.
“Matéria-prima nós temos com abundância, mas precisamos avançar em infraestrutura. E a energia é uma das que realmente necessitamos. Então, quando a Assembleia Legislativa traz esse assunto para as regiões, é muito importante, porque precisamos desenvolver mecanismos para oferecer energia com qualidade à indústria mato-grossense”, destacou o presidente da CIPEM.
O Defensor Público do Núcleo de Alta Floresta, Moacir Gonçalves Neto informou sobre o número de ações. “É uma demanda constante que bate às portas da Defensoria diariamente. Em um período recente, o órgão recebeu mais de mil reclamações, resultando em mais de 250 ações judicializadas contra a concessionária. É um número bastante expressivo, que a gente quer realmente, através do diálogo e do trabalho conjunto, diminuir”, afirmou o defensor.
Também participaram da audiência: Washington Soares Pérez Júnior, coordenador de obras e manutenção da Energisa; Romério de Oliveira Brás, agente de relacionamento da Energisa; Elisa Gomes, vereadora de Alta Floresta; Duda Pires, vice-presidente da Câmara Municipal.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Wellington aparece com 27%, Pivetta sobe para 20% e Jayme tem 14% em cenário embolado ao governo de Mato Grosso
Levantamento aponta aproximação de Otaviano Pivetta sobre Wellington Fagundes, crescimento do grupo governista e menor rejeição do vice-governador entre os principais nomes da disputa ao Paiaguás
A nova pesquisa divulgada pelo instituto MT Dados nesta quarta-feira (20) revela um cenário de disputa acirrada e ainda indefinida para o Governo de Mato Grosso nas eleições de 2026. O levantamento mostra o senador Wellington Fagundes (PL) na liderança com 27% das intenções de voto, seguido pelo vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que aparece com 20%, enquanto o senador Jayme Campos (União Brasil) soma 14%.
A médica Natasha Slhessarenko (PSD) surge na quarta colocação, com 7% das intenções de voto. Os votos brancos e nulos representam 7%, enquanto 25% dos entrevistados afirmaram estar indecisos, demonstrando que a corrida ao Palácio Paiaguás segue aberta e com espaço para mudanças até o período eleitoral.
O dado que mais chamou atenção no levantamento foi o crescimento político de Otaviano Pivetta, que reduziu significativamente a distância para Wellington Fagundes e abriu vantagem sobre Jayme Campos.
Nos bastidores políticos, aliados avaliam que o vice-governador começa a consolidar o apoio do grupo ligado ao governador Mauro Mendes, fortalecendo seu projeto de sucessão estadual.
Em um segundo cenário, sem a participação de Natasha Slhessarenko, Wellington Fagundes sobe para 29%, enquanto Pivetta alcança 21% e Jayme Campos aparece com 15%. Já no terceiro cenário, sem Jayme Campos na disputa, Wellington vai a 31%, Pivetta registra 24% e Natasha aparece com 8%.

Outro fator considerado estratégico pela classe política é o índice de rejeição. Segundo a pesquisa, Otaviano Pivetta possui a menor rejeição entre os principais postulantes ao Paiaguás, com apenas 10%. Wellington Fagundes aparece com 13% de rejeição, Natasha Slhessarenko registra 16% e Jayme Campos lidera negativamente neste quesito, com 21%.
Analistas políticos avaliam que a baixa rejeição pode se tornar um dos principais ativos de Pivetta ao longo da pré-campanha, principalmente em um cenário onde alianças partidárias e apoio do setor produtivo devem influenciar diretamente a consolidação das candidaturas.
A pesquisa MT Dados foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número MT-03773/2026. O levantamento foi realizado entre os dias 12 e 17 de maio, com 1.500 entrevistas presenciais em Mato Grosso. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
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