AGRONEGÓCIO
Ex-aluno do PER implanta projeto de melhoramento genético
O Programa Empreendedor Rural (PER), fruto de uma parceria entre o Sistema FAEP/SENAR-PR, Sebrae-PR e Fetaep, é conhecido por transformar a realidade de milhares de produtores rurais do Paraná. No programa, os participantes aprendem a construir um projeto de negócio. Em Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro, o estudante de agronomia Bruno Tito Moura, aluno do PER em 2021, já está colocando seus planos em prática.
Filho de produtores rurais, Moura auxilia o pai nos afazeres da propriedade voltada à pecuária de corte. “Nosso gado é bastante padrão e trabalhávamos com engorda de fêmeas. As coisas estavam meio paradas e meu pai desanimado. Então eu comecei a pensar em algo para melhorar os negócios. Me ofereceram o PER e decidi participar. Durante o curso, consegui amadurecer minhas ideias e entender o que era melhor para nossa propriedade”, conta.
Moura tinha duas alternativas: comprar bezerros de melhor raça ou investir em melhoramento genético. Ao lado do pai, optaram pela inseminação artificial com o suporte de um veterinário especializado, que deu bons resultados iniciais, atingindo taxa de prenhez de 51%. De 410 animais, foram 180 vacas inseminadas, com 93 prenhas confirmadas. A meta é destinar 300 animais para reprodução, para que sejam colocados à venda enquanto estiverem prenhas.
“É uma experiência nova na pecuária e estamos com boas expectativas. Às vezes a gente tem uma vontade e a realidade é diferente. Por isso o PER foi muito importante, pois tivemos suporte na tomada de decisões. O programa ajuda a encontrar viabilidade para nossas ideias”, aponta Moura.
Segundo Gumercindo Fernandes, instrutor do SENAR-PR que trabalha há 19 anos com o PER e acompanhou o projeto, o programa foi importante para Moura e o pai encontrarem, juntos, o melhor caminho para os negócios.
“O PER consegue aproximar gerações. Nas turmas de 2020 para a cá, a gente conseguiu tocar nesse ponto de uma forma que o aluno busque efetivamente a participação da família nos objetivos do projeto”, relata. “O projeto só seria implantado se ele sentasse e decidisse junto com a família, porque o comando está com o pai. O PER deu o caminho e eles deram o passo à frente”, complementa.
Serviço
O Programa Empreendedor Rural (PER) é ofertado pelo SENAR-PR desde 2003 e passou por reformulação em 2020. O PER tem 136 horas de duração, que abrangem 17 encontros presenciais. Durante o curso, os participantes trabalham uma proposta de mudança no seu empreendimento rural, com elaboração de um plano de negócio. As inscrições são realizadas no portal do Sistema FAEP/SENAR-PR (sistemafaep.org.br), na seção Cursos SENAR-PR, ou nas regionais da entidade.
AGRONEGÓCIO
Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural
O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.
A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.
“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.
“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.
Fonte: Pensar Agro
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