SAÚDE

Ministério da Saúde trabalha o fortalecimento das capacidades nacionais para ampliar eficiência e equidade no SUS

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Os desafios para garantir o financiamento sustentável e fortalecer a capacidade de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) foram debatidos nesta segunda-feira (31), em Brasília, durante o seminário “SUStentabilidade: financiamento da saúde e as redes de atenção”, realizado no Tribunal de Contas da União (TCU). Durante o evento, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, apresentou a trajetória recente do orçamento federal da saúde e destacou como o financiamento pode ser utilizado não apenas para ampliar a oferta de serviços, mas também para induzir mudanças no modelo de atenção, melhorar a eficiência na utilização dos recursos e reduzir desigualdades no acesso à saúde.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a evolução dos recursos federais destinados ao SUS. Em valores corrigidos pela inflação, o orçamento passou por diferentes ciclos na última década, com contenção da expansão real durante a vigência do teto de gastos, aumento excepcional das despesas durante a pandemia e retração em 2022. A partir de 2023, houve retomada da expansão real do financiamento, alcançando, entre 2023 e 2025, patamar 26,2% superior ao período anterior.

A análise destacou ainda a importância da vinculação constitucional de recursos para assegurar estabilidade ao financiamento da saúde e o impacto das regras fiscais sobre o espaço disponível para a expansão das despesas federais.

Ao mesmo tempo, houve uma mudança relevante na composição das despesas discricionárias. Entre 2014 e 2025, os recursos destinados por meio de emendas parlamentares cresceram 383% em termos reais. Em 2025, as emendas corresponderam a 47% dessas despesas, reduzindo a parcela de recursos cuja alocação é definida diretamente pelo Executivo federal e ampliando a importância de mecanismos de coordenação para que esses investimentos estejam alinhados às necessidades de saúde e às prioridades do SUS.

Recuperar capacidades nacionais de gestão

Massuda defendeu que a descentralização, uma das bases do SUS, precisa estar associada ao fortalecimento de capacidades nacionais para enfrentar problemas que ultrapassam os limites de municípios e estados.

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Nesse sentido, as transferências federais devem ser combinadas com instrumentos nacionais de planejamento, regulação, provimento de profissionais, incorporação de tecnologias e compras estratégicas, aproveitando a escala do SUS para ampliar eficiência e equidade.

O Mais Médicos foi citado como exemplo dessa atuação. Atualmente, o programa conta com cerca de 27 mil profissionais e permite que o governo federal participe diretamente do provimento e da distribuição de médicos, fortalecendo as equipes de Saúde da Família, especialmente em áreas com maior dificuldade de atração e fixação de profissionais.

“Se a gente só repassasse mais recursos, isso geraria uma competição entre os municípios por quem paga o maior salário. O governo federal entrou e assumiu uma inovação importante de alocar o profissional”, afirmou Massuda.

Financiamento para transformar o modelo de atenção

Na atenção especializada, a discussão abordou como diferentes mecanismos de financiamento produzem incentivos distintos sobre a organização dos serviços. Instrumentos como o Teto Financeiro de Média e Alta Complexidade (Teto MAC) e o Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (Faec) foram importantes para ampliar a oferta e a produção de procedimentos, mas o desafio atual é avançar para modelos capazes de integrar o cuidado e melhorar o acesso da população.

As Ofertas de Cuidado Integrado (OCI) foram apresentadas como exemplo dessa mudança. Em vez de financiar procedimentos de maneira fragmentada, o mecanismo organiza conjuntos de consultas e exames necessários à investigação diagnóstica e ao cuidado do paciente, articulando financiamento, regulação e organização assistencial.

A perspectiva é avançar na organização de redes regionais de atenção, aproximando a alocação dos recursos das necessidades de saúde da população e vinculando financiamento a metas assistenciais, acesso regulado, integração entre atenção primária e especializada e resultados para os pacientes.

Compras estratégicas, tecnologia e inovação

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O poder de compra do SUS também foi destacado como uma capacidade estratégica do Estado. Em áreas como medicamentos, vacinas, equipamentos e tecnologias de alto custo, a atuação em escala nacional permite negociar preços, organizar a demanda, reduzir desperdícios e ampliar o acesso de forma mais equitativa.

Entre os exemplos apresentados estão a aquisição do Zolgensma, terapia gênica utilizada no tratamento da atrofia muscular espinhal, e da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Nesses casos, a atuação federal envolve não apenas a compra, mas também negociação de preços, planejamento de suprimentos, logística, acompanhamento da utilização das tecnologias e avaliação de seus impactos financeiros e assistenciais.

Segundo os dados apresentados no seminário, iniciativas de negociação de preços e redução de perdas em estoques produziram economia estimada em cerca de R$ 1 bilhão. Outros R$ 3,3 bilhões em economia estão associados à padronização de projetos de infraestrutura e às compras centralizadas de equipamentos e veículos no âmbito dos investimentos federais em saúde.

Financiamento como instrumento estratégico do SUS

Ao final, Massuda ressaltou que a sustentabilidade do SUS não depende apenas do volume de recursos disponíveis. Exige também capacidade pública para planejar, coordenar e utilizar esses recursos de maneira estratégica.

O fortalecimento do financiamento deve estar associado à recuperação das capacidades nacionais do SUS para organizar redes regionalizadas, induzir modelos de atenção orientados às necessidades da população, ampliar o acesso às tecnologias, utilizar o poder de compra do Estado, responder a emergências sanitárias e reduzir desigualdades entre territórios e grupos populacionais.

“Financiar o SUS não é apenas colocar mais recursos no sistema. É utilizar o financiamento para organizar o cuidado, gerar mais valor para a população e garantir que o acesso à saúde ocorra de forma mais eficiente e equitativa em todo o território nacional”, concluiu.

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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SAÚDE

Populações de mais três municípios de Minas Gerais são atendidas por carretas de exames de imagem do Ministério da Saúde; veja como funciona

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Pacientes do SUS que aguardam serviços especializados em exames de imagem de Martinho Campos (MG), Jaíba (MG), Nova Ponte (MG) e região estão sendo atendidos por carretas do Ministério da Saúde. Estruturadas com equipamentos, insumos e equipes multiprofissional, as unidades ofertam serviços para diagnóstico precoce de doenças e definição de tratamentos.  

Os serviços fazem parte do programa Agora Tem Especialistas, criado pela Lei nº 15.233/2025, e oferecem consultas, procedimentos, exames e demais ações em atenção especializada à saúde.   

A unidade móvel de saúde de Martinho Campos oferta diversas tomografias e ultrassonografias para pacientes do SUS da cidade e de outros sete municípios: Bom Despacho, Córrego Danta, Dores do Indaiá, Estrela do Indaiá, Luz e Moema. Em funcionamento de segunda a sábado, a carreta pode realizar até 140 exames por dia. 

O secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Pimenta, visitou a carreta de Martinho Campos neste sábado (5). Ele anunciou o funcionamento das carretas aos sábados, para atender mais pessoas durante o tempo que permanecer no município.

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“Em conversa com os pacientes, muitos me disseram que a chegada da carreta é motivo de comemoração. Eles também elogiaram a qualidade dos profissionais de saúde e o alto nível de acolhimento. Ao todo, serão oferecidos 120 exames por dia, entre tomografias e ultrassonografias. Como a carreta permanecerá aqui por um mês, a fila de espera por exames de imagem no município e em algumas cidades vizinhas poderá ser zerada”, disse o secretário.

Em Jaíba, a unidade atende também pessoas encaminhadas de Catuti, Espinosa, Gameleiras, Janaúba, Mamonas, Mamonas, Mato Verde, Monte Azul, Nova Porteirinha, Pai Pedro, Porteirinha, Riacho dos Machados e Serranópolis de Minas. A carreta oferta atendimento desde 14 de agosto e realiza até 140 exames por dia. 

Já a carreta de Ponte Nova oferta os serviços para outros 16 municípios, além da cidade que recebe a unidade:  Barra Longa, Raul Soares, Rio Casca, Rio Doce, Santa Cruz do Escalvado, São José do Goiabal, São Pedro dos Ferros e Sem-Peixe. Atendendo de segunda à sábado, pode realizar até 2,6 mil exames por mês. 

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Mais acesso à saúde 

Quarenta e nove municípios já foram atendidos no estado pelas carretas do Ministério da Saúde, ofertando serviços especializados em saúde da mulher, exames de imagem e oftalmologia. Ao todo, 27,4 mil pessoas foram atendidas e 63,9 mil procedimentos foram realizados.    

Para ser atendido 

As carretas atendem exclusivamente pacientes que foram pré-agendados e encaminhados para a unidade pela secretaria municipal de saúde. Pessoas que já aguardam os exames pelo SUS podem solicitar encaminhamento indo até uma Unidade Básica de Saúde da cidade. 

Ministério da Saúde

Fonte: Ministério da Saúde

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