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Campanha alerta para importância da testagem para hepatites virais

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Campanha do Ibrafig incentiva testagem para evitar doenças por hepatites viraisComo o mês de julho é voltado ao enfrentamento das hepatites virais, o Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig), vinculado à Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), lançou a campanha “Não Vamos Deixar Ninguém para Trás”, para incentivar o diagnóstico e tratamento. 

O dia 28 de julho foi definido como Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, marcando a data do nascimento do cientista Baruch Blumberg, ganhador do Prêmio Nobel, que descobriu o vírus da hepatite B. No Brasil, a Lei 13.802/2019 instituiu o Julho Amarelo, a ser realizado a cada ano em todo o território nacional, quando são efetivadas ações relacionadas à luta contra as hepatites virais.

A campanha do Ibrafig condensa as ações feitas durante todo o ano para o enfrentamento das hepatites virais, principalmente as hepatites B e C, que podem evoluir para cirrose hepática e câncer de fígado. O presidente do Ibrafig, Paulo Bittencourt, explicou hoje (5) à Agência Brasil que as hepatites B e C, em geral, evoluem de forma silenciosa. Por isso, o indivíduo só acaba descobrindo que tem uma doença no fígado quando desenvolve cirrose ou câncer, já em fase avançada. Nesses casos, o tratamento é o transplante de fígado, para cirrose. Para casos de câncer, o tratamento curativo não é mais possivel, disse o hepatologista.

“O alerta que a gente está fazendo é em relação à solução que nós encontramos para mitigar os efeitos da pandemia da covid-19 nas ações de testagem que reduziram muito no país”. No ano passado, devido à pandemia do novo coronavírus, a aplicação de testes rápidos por parte do governo, nas unidades de saúde, caiu mais de 40%, porque a população, por conta do isolamento social, reduziu a procura para a testagem que ocorre de forma habitual em todas as unidades básicas de saúde. “Com isso, houve uma redução consequente de quase 50% no número de tratamentos”.

Facilitar o acesso

O Ibrafig criou o número gratuito 0800 882 8222, para facilitar o acesso das pessoas à testagem. Esse número, também acessado via WhatsApp, mapeou todos os pontos de testagem gratuitos no país, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e tem o objetivo de orientar a população a procurar o ponto mais próximo de sua residência. “Não só procurar um ponto para a testagem mas, em caso positivo, ajudar o indivíduo a se vincular ao sistema de saúde para o tratamento. A questão toda é que, com a pandemia, várias ações de testagem que eram feitas, inclusive no Julho Amarelo, em todo o país, e eram disponíveis nas unidades básicas de saúde do governo, foram prejudicadas”. Como as ações de testagem costumam aglomerar pessoas, o que é contraindicado no período de pandemia de covid-19, o número de testes feitos caiu em 2020 e 2021.

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Pedro Bittencourt argumentou que como não se sabe se a pandemia terá sido controlada até 2022, o Ibrafig está muito preocupado, porque o Brasil é signatário de um plano da Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa reduzir a mortalidade atribuída às hepatites em mais de 75%, até 2030. Para isso, o país precisaria realizar testagem só para hepatite C entre 9 milhões e 12 milhões de pessoas todo ano. Com a redução da testagem ocorrida, o presidente do Ibrafig estimou que o plano de eliminação das hepatites virais até 2030 vai estar longe de ser alcançado.

Daí a importância da campanha para alertar a população que a falta de testagem hoje, mesmo durante a pandemia da covid-19”, pode levar ao aumento dos número de casos de cirrose e de câncer de fígado nos próximos anos, e ao aumento da mortalidade devido a essa doença. “É o que nós, médicos, estamos chamando de morte silenciosa, que não está associada à covid, mas, sim, à redução do número de exames, de testagens, à redução do cuidado, em geral, em relação à saúde, devido ao receio da pandemia e do medo das pessoas de procurarem o sistema de saúde”.

Desconhecimento

De acordo com o instituto, um milhão de pessoas têm hepatites virais no Brasil e desconhecem esse fato. São 500 mil com hepatite C e um número semelhante com hepatite B. Paulo Bittencourt explicou que a transmissão dessas hepatites se faz por via sexual e pela transmissão da mãe para o filho, no caso da hepatite B; e pelo compartilhamento de material perfuro/cortante, que tenha sido contaminado com sangue do indivíduo com o vírus, para a hepatite C. As medidas de precaução não eram conhecidas há 40 anos, entre as quais não compartilhar tesourinhas e alicates em salões, sem higienização adequada; não usar seringas e agulhas não-descartáveis. “Então, a gente sabe que entre 0,7% e 1% da população brasileira se contaminou com o vírus C nessa época e, hoje, tem infecção crônica que pode levar à cirrose e câncer de fígado”.

A hepatite C não tem vacina. O único mecanismo para diminuir a mortalidade associada à doença é por meio da testagem, principalmente na faixa da população acima de 40 anos de idade. Para a hepatite B, há vacinas disponíveis no calendário nacional de vacinação desde 1996. Bittencourt disse que a maior parte das pessoas de 20 a 25 anos para baixo já foi vacinada durante a infância. “Mas a gente sabe que grande parte da população brasileira acima de 25 anos não está vacinada”. Destacou que a vacina contra hepatite B está também disponível para adultos e idosos, onde se percebe aumento da frequência da doença.

O Ibrafig alerta para verificar o cartão nacional de vacinação. Quem não foi vacinado deve procurar tomar a vacina para hepatite B, que é gratuita pelo SUS e, para a hepatite C, fazer a testagem, se tiver idade superior a 40 anos. As duas hepatites têm tratamento, quando diagnosticadas precocemente. O aspecto positivo, de acordo com o hepatologista, é que a hepatite C tem cura com tratamento de três meses, com drogas orais eficazes que eliminam o vírus em 95% das pessoas. Já a hepatite B tem tratamento que, na maior parte das vezes, inibe o vírus também com drogas altamente eficazes e que previnem progressão para cirrose e câncer de fígado. O intervalo de tratamento, no caso do vírus B, é, porém indefinido.

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A testagem pode ser feita pela coleta de sangue, mas o Ibrafig propõe que a população vá aos postos de saúde que usam o chamado teste rápido, que o sangue é coletado na ponta do dedo, e que dão resultado em cerca de dez a 15 minutos. Essa dosagem está disponível no SUS. 

O presidente do Ibrafig chamou a atenção que muitos pontos de testagem no país foram desativados com a pandemia. Mas o serviço 0800 882 8222 localiza onde o teste está ativo e de forma rotineira pelo WhatsApp. Além disso, caso o teste dê positivo, o serviço estimula o cidadão a procurar a rede de saúde para tratamento. A ideia do Ibrafig é intervir ainda quando o paciente está na fase inicial da infecção, para que ele não precise de um transplante de fígado e para evitar a possibilidade de não se poder fazer mais nada.

Custos

O Brasil é, depois dos Estados Unidos, o país que mais realiza transplantes de fígado globalmente, com 100% dos procedimentos cobertos pelo SUS. O Brasil possui também o segundo programa mundial de transplante de fígado, a maior parte dos casos por hepatites virais. Cada transplante tem custo de US$ 20 mil a US$ 25 mil por pessoa, mais US$ 5 mil de medicação. “É um custo alto. Do ponto de vista de saúde pública, a gente tem não só o dever de tratar essas pessoas, mas de desafogar o sistema que está quase estrangulado em termos de custeio”.

Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), cerca de 1 milhão de pessoas morrem por ano no mundo, em decorrência das hepatites virais, com 3 milhões de novos infectados ao ano. As hepatites B e C juntas respondem por cerca de 74% dos casos notificados de hepatites virais no Brasil. Sozinha, a hepatite C foi responsável por mais de 76% das mortes por hepatites virais, no país, no período de 2000 a 2018, de acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2020, o mais recente editado.

Ouça na Radioagência Nacional:

Edição: Aline Leal

Fonte: EBC Saúde

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SAÚDE

DF já começou a vacinar crianças a partir de 5 anos contra a covid-19

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O Distrito Federal (DF) começou a vacinar nesta terça-feira (25) crianças a partir dos 5 anos contra a covid-19. Para essa idade estão sendo aplicadas doses do imunizante pediátrico da Pfizer. Até ontem (24), os locais de vacinação estavam imunizando pessoas de 6 a 11 anos.

Na capital, a campanha de vacinação infantil começou no dia 16 com crianças com comorbidades e com 11 anos. Nos dias seguintes, com a chegada de mais doses, as faixas etárias foram sendo ampliadas.

Segundo a Secretaria de Saúde, o avanço no calendário da imunização infantil ocorreu a partir da autorização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para aplicar a Coronavac em crianças de 6 a 11 anos. A secretaria informa ainda que há doses de sobra dessa vacina para imunizar esse grupo, que soma 230 mil crianças no DF.

Na capital federal foram disponibilizados 11 pontos de vacinação exclusivo para crianças. As informações e endereços dos locais estão disponíveis no site da Secretaria de Saúde do DF.

Até ontem (24), já haviam sido vacinadas 12,09% das crianças da capital com a primeira dose. No total, há 268,2 mil pessoas com idades entre 5 e 11 anos residindo no DF.

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Edição: Denise Griesinger

Fonte: EBC Saúde

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