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Erdogan sai de reunião com Putin sem compromisso sobre Síria e Ucrânia

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 O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan
Reprodução/Flickr – 01.03.2016

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan

Os líderes da Rússia, Vladimir Putin , e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan , se encontraram nesta sexta-feira em Sochi com uma extensa pauta, mas sem anunciarem acordos oficiais. O líder turco chegou ao balneário no Mar Negro com a expectativa de obter compromissos por parte de Moscou sobre a Síria , onde planeja uma grande operação militar, e sobre a Ucrânia, onde Ancara deseja ter um maior papel na mediação entre russos e ucranianos.

Na visão de Erdogan, o papel de Ancara no acordo para liberar alguns portos ucranianos para as exportações de alimentos, algo que não acontecia desde o começo da guerra, deu aos turcos legitimidade para negociarem novos acertos no futuro.

Pelo acordo, firmado no dia 22 de julho, russos e ucranianos se comprometeram com a criação de corredores seguros no Mar Negro para a passagem de embarcações carregadas com grãos e outros alimentos, permitindo que sejam enviados para dezenas de países.

O bloqueio naval era apontado pela ONU como uma séria ameaça à segurança alimentar de milhões de pessoas, e é um dos fatores ligados à alta global da inflação. Além disso, o texto garante que não haverá obstáculos às exportações de alimentos russos — Moscou afirma que as  sanções impostas ao setor financeiro inviabilizam o pagamento pelos produtos.

No comunicado conjunto, Erdogan e Putin enfatizaram a necessidade de garantir que o plano seja implementado sem sobressaltos, mas sem mencionar um papel maior de Ancara no ainda inexistente processo de paz.

“Os líderes reconheceram o importante papel das relações construtivas entre os dois países na conclusão de uma iniciativa sobre a exportação segura de grãos dos portos ucranianos”, diz o texto, apontando ainda para a necessidade da “exportação desimpedida de grãos russos, fertilizantes e matérias-primas”.

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Horas antes da reunião, três embarcações zarparam de portos ucranianos, rumo a Irlanda, Inglaterra e Turquia.

“Nosso principal objetivo é aumentar o volume de embarques em nossos portos. Temos que processar 100 embarques por mês para exportar a quantidade necessária de produtos alimentícios”, declarou o ministro da Infraestrutura da Ucrânia, Oleksandr Kubrakov.

Relação complexa

Integrante da Otan, a aliança militar liderada pelos EUA que é o pilar central de apoio à Ucrânia na guerra, a Turquia adota uma postura dúbia no conflito. Alguns dos drones usados por Kiev para conter a invasão, os Bayraktar TB-2, são fabricados por uma empresa turca, e provocaram estragos nas tropas russas.

Ao mesmo tempo, Ancara não adotou sanções contra a Rússia, como fizeram seus aliados ocidentais, e manteve laços econômicos com Moscou, especialmente no setor de energia, importando grandes quantidades de petróleo e gás natural — em um dos poucos anúncios práticos, a Turquia confirmou que pagará parte dos envios de gás em rublos, como quer Moscou. Os dois lados ainda trabalham na construção da usina nuclear de Akkuyu, na costa do Mediterrâneo, que gerou alguns bilhões de dólares aos cofres russos, através de uma subsidiária da estatal Rosatom.

No momento em que a economia turca enfrenta sérios problemas econômicos, com a inflação beirando os 80% ao ano, Erdogan vê o fim da guerra como uma oportunidade para impulsionar a atividade local, em especial no setor de exportações e do turismo, que depende muito do dinheiro dos quase cinco milhões de russos que visitam anualmente o país. Segundo especialistas, esse é um fator que impulsiona seu governo a tomar um papel mais ativo nas discussões.

Erdogan também foi a Sochi em busca de um acerto sobre a Síria, talvez o principal ponto de atrito entre Moscou e Ancara. O líder turco quer o aval de Putin a uma nova operação militar em áreas controladas por milícias curdas no Norte do país árabe, alegando que essas forças são “organizações terroristas”.

Pelos planos, ele vai estabelecer uma “zona de segurança”, avançando por 30 km em território sírio, mas que vai deixar os turcos a uma distância considerada perigosa das forças russas e iranianas, que apoiam o presidente Bashar al-Assad, rival da Turquia e que é contra a incursão.

Nesta sexta, assim como em um encontro trilateral entre Rússia, Irã e Turquia, em Teerã, no mês passado, Erdogan não obteve um aval explícito à “operação especial”: no documentos final, os dois líderes ressaltaram a necessidade de atuar de forma coordenada no combate ao terrorismo, mas respeitando a soberania da Síria.

Mesmo assim, especialistas apontam que as circunstâncias hoje parecem favoráveis ao líder turco. Em entrevista à Bloomberg, Alexey Malashenko, especialista do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais, em Moscou, afirma que a Turquia hoje é um dos principais caminhos para a Rússia amenizar os impactos das sanções internacionais, e que Putin teria muito a perder se ficar no caminho de Ancara.

— Com informações de agências internacionais.

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Fonte: IG Mundo

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Rússia suspende checagem dos EUA sobre armas nucleares

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Joe Biden e Vladimir Putin
Reprodução/Montagem iG – 17/03/2022

Joe Biden e Vladimir Putin

A Rússia decidiu suspender “temporariamente” as inspeções dos Estados Unidos em suas instalações no âmbito do tratado New Start, que firma uma limitação das armas nucleares, informou o Ministério das Relações Exteriores em nota divulgada pela agência estatal Tass nesta segunda-feira (8).

“Em 8 de agosto de 2022, a Federação Russa informou oficialmente aos Estados Unidos da América, por meio de canais diplomáticos, que nosso país está retirando temporariamente suas instalações sujeitas a inspeções sob esse tratado das atividades de inspeções. Essa isenção também se aplica às instalações contratadas”, diz o comunicado repercutido pela agência.

A nota ainda afirma que Moscou continuará a respeitar todos os limites do acordo, que é válido até 2026, mas “se reserva ao direito de retomar as inspeções de posições mais realistas”.

Além disso, o governo russo aponta que esse “é o instrumento mais importante para manter a segurança e a estabilidade internacionais”, porém, pontua que há “questões problemáticas” nesse quesito.

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“Após a resolução das questões problemáticas existentes sobre a retomada das atividades de inspeção do tratado, as isenções anunciadas por nós serão imediatamente canceladas, e poderão ser retomadas novamente na íntegra. Estamos prontos para atingir esse objetivo e esperamos uma abordagem semelhante do lado americano”, ressalta o ministério.

O Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New Start), assinado pela primeira vez em 2010, é o único sobre o tema entre as duas potências ainda em vigor e havia sido renovado pela última vez em janeiro de 2021 por Joe Biden e Vladimir Putin. Basicamente, além das inspeções, o texto limita que cada um dos países tenham, no máximo, 1.550 ogivas nucleares e 700 mísseis em condições de uso.

O anúncio é mais um episódio de aumento de tensão entre os dois países, que se intensificaram de maneira profunda desde a decisão de Putin de invadir a Ucrânia, em fevereiro deste ano.

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Por conta disso, Washington impôs inúmeras sanções a milhares de empresas e pessoas ligadas ao Kremlin por seu apoio econômico, político e até religioso da guerra no país vizinho.

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Fonte: IG Mundo

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