AGRONEGÓCIO
Senar inicia capacitação de instrutores e gestores do Programa Saúde do Adolescente Rural
Brasília (03/05/2022) – O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) iniciou a capacitação dos instrutores e gestores do Programa Saúde do Adolescente Rural. A primeira etapa começou com a formação do guia para a ação “Promovendo a Saúde do Adolescente Rural”.
O treinamento acontece na modalidade de Educação a Distância (EaD). Os encontros diários acontecem até o dia 6 de maio, totalizando 25 horas.
O cronograma conta com 10 módulos de formação – Programa Saúde do Adolescente Rural e Guia para a Ação: Promovendo a Saúde do Adolescente Rural; Adolescências, corpo e sexualidade; Muitos Jeitos de Ser Garoto e Ser Garota: uma conversa sobre direitos e respeito; Gestação não intencional na adolescência; Trabalhando com adolescentes às IST/HIV/Aids e hepatites virais; Adolescência e internet; Saúde mental de adolescentes: bullying, depressão, automutilação e suicídio; Álcool e outras drogas; Adolescências e Violências e Elaboração do Plano de Ação.
Segundo a coordenadora de Formação Profissional e Promoção Social da Diretoria de Educação Profissional e Promoção Social (DEPPS) do Senar, Deimiluce Lopes Fontes, o objetivo da capacitação é ampliar, contextualizar e aprofundar o debate sobre saúde do adolescente em seu aspecto integral. A formação fornecerá conteúdos técnicos, conceituais e legais atualizados, além de trazer as principais normativas e políticas públicas voltadas aos adolescentes.
Além disso, a programação também ensinará como desenvolver atividades práticas com o propósito de estimular os adolescentes, os educadores e as famílias/responsáveis a participarem das discussões e a refletirem sobre os diversos assuntos associados ao campo da saúde do adolescente.
“Essa iniciativa é uma continuidade das ações que o Senar desenvolve voltadas para a saúde do homem e da mulher. Agora o foco é trabalhar com a saúde do adolescente rural. O objetivo da capacitação é levar conhecimento detalhado do programa para os gestores e instrutores que serão os responsáveis por realizar as atividades nos estados”, afirmou a diretora do DEPPS, Janete Lacerda.
De acordo com a gestora em saúde e assessora técnica do DEPPS do Senar, Magali Eleutério, a formação pretende ofertar ao educador/instrutor a possibilidade de fomentar habilidades socioemocionais dos adolescentes, uma vez que contribuem para a geração de atitudes positivas e saudáveis. O questionamento de preconceitos e valores que discriminam pessoas e grupos e o conhecimento das redes de atenção e proteção relacionadas aos adolescentes e aos jovens também serão abordados.
Além de Magali, as outras especialistas convidadas para a capacitação são a psicóloga e especialista em Bioética, Juny Kraiczyk; a nutricionista e especialista em Educação em Saúde, Luciana Barone; e a psicóloga e consultora do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em Angola e do Senar, Maria Adrião.
Programa Saúde do Adolescente Rural – Considerando a preocupação com o cenário da saúde do adolescente rural, o Senar decidiu desenvolver em articulação com as Administrações Regionais um programa específico destinado a esse público.
A iniciativa surgiu após um diagnóstico realizado em 2019, com a participação de adolescentes de 11 estados (Acre, Bahia, Ceará, Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins).
O material do programa vai trabalhar temas como violências física, sexual e doméstica, saúde mental, gravidez na adolescência, abuso de álcool e drogas, doenças sexualmente transmissíveis e uso de redes sociais.
Além dos adolescentes, as ações também envolverão instrutores, educadores, familiares e responsáveis. As atividades serão realizadas em escolas, centros esportivos, unidades de saúde, associações, igrejas e projetos sociais.
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AGRONEGÓCIO
Projeto de R$ 20 bi da Ferrogrão ganha sinal verde para ligar Sinop a Miritituba
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou um dos impasses mais arrastados da infraestrutura nacional ao declarar a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, norma que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para permitir a implantação da Ferrogrão (EF-170). Por um placar de 9 votos a 1, o veredito joga por terra o principal obstáculo jurídico que mantinha congelado o projeto de 933 quilômetros de trilhos, planejado para ligar Sinop, no norte de Mato Grosso, ao porto fluvial de Miritituba, no Pará.
A decisão foi recebida pelo agronegócio como um marco regulatório essencial para atrair os R$ 20 bilhões em investimentos privados necessários para tirar a obra do papel. Sob a perspectiva macroeconômica, a Ferrogrão é vista como o eixo de ruptura da dependência crônica do modal rodoviário na BR-163, com potencial para reduzir em até 20% o custo do frete de commodities agrícolas, como soja e milho, ampliando a competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que atuou no processo, aponta que as regiões Norte e Centro-Oeste concentram atualmente cerca de 70% da produção nacional de grãos, mas os portos do Arco Norte escoam apenas 34% desse volume. A consolidação da ferrovia deve acelerar o redirecionamento desse fluxo, aliviando o gargalo logístico dos portos das regiões Sul e Sudeste, como Santos (SP) e Paranaguá (PR).
O julgamento foi balizado pelo voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que rechaçou os argumentos de descumprimento de salvaguardas ambientais apresentados na ação original do PSOL. Moraes argumentou que o texto legal previu a devida compensação ecológica pela redução da unidade de conservação e destacou que o traçado ferroviário não intercepta terras indígenas homologadas, situando-se a quatro quilômetros da reserva mais próxima, a Terra Indígena Praia do Mangue.
O julgamento, que havia sido interrompido no ano passado, foi concluído com o voto do ministro Flávio Dino. Ao acompanhar o relator, Dino propôs condicionantes para a execução do projeto, determinando que qualquer alteração futura no perímetro da ferrovia não poderá afetar áreas indígenas em um raio de 250 quilômetros, além de defender que as comunidades tradicionais sejam ressarcidas ou tenham participação nos lucros caso sejam registrados impactos socioambientais imprevistos.
O único voto divergente foi do ministro Edson Fachin, que considerou inconstitucional a alteração de reservas ambientais por meio de Medida Provisória, rito utilizado na origem do projeto durante o governo de Michel Temer.
Com o desfecho na Suprema Corte, o projeto da Ferrogrão sai da arena jurídica e ingressa na fase de viabilidade técnica. O Ministério dos Transportes informou que aguarda a conclusão da análise de modelagem de concessão e matriz de riscos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para estruturar o edital de leilão.
Lideranças do setor produtivo, como a Aprosoja Brasil, avaliam que a segurança jurídica conferida pelo STF deve acelerar o crivo da Corte de Contas, posicionando a ferrovia como um dos principais ativos de infraestrutura para captação de capital estrangeiro na América Latina nos próximos anos.
Fonte: Pensar Agro
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