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Mato Grosso completa hoje 277 anos

O estado de Mato Grosso completa 277 anos nesta sexta-feira (9). Apesar dos mais de dois séculos e sete décadas de existência, a data é comemorada há apenas 22 anos, quando foi instituída oficialmente pela Lei 8007/2003, de autoria do ex-deputado estadual João Malheiros.

O mapa acima foi elaborado pelo primeiro Governador e Capitão General da Capitania de Matto Grosso e Cuyabá D. Antonio Rolim de Moura Tavares. Trata-se do primeiro mapa do interior do continente.

O mapa acima foi elaborado pelo primeiro Governador e Capitão General da Capitania de Matto Grosso e Cuyabá D. Antonio Rolim de Moura Tavares. Trata-se do primeiro mapa do interior do continente.

Foto: Helder Faria

A Capitania de Mato Grosso foi desmembrada da Capitania de São Paulo em 9 de maio de 1748, a partir da assinatura de Carta Régia pelo rei de Portugal Dom João V. Na época, a região onde fica o estado pertencia à Espanha, segundo o antigo Tratado de Tordesilhas (1494), mas, na prática, os portugueses ocupavam o território.

A criação da Capitania de Mato Grosso foi necessária para evitar que os espanhóis tomassem as terras, uma vez que nelas haviam sido descobertos grandes depósitos de ouro, como as Lavras do Sutil, em Cuiabá, fato que atraiu muitos exploradores e aumentou o povoamento da área.

“As minas de ouro descobertas na Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, em 1719 por Pascoal Moreira Cabral, e em 1722 por Miguel Sutil, chamaram a atenção não só dos colonos, mas também da Coroa Portuguesa. Esses achados, na teoria, pertenciam à Espanha, segundo o Tratado de Tordesilhas. Diante disso, a Coroa Portuguesa adotou medidas para consolidar sua permanência na região. A partir de 1530, foram criadas as capitanias hereditárias, depois o governo-geral, e, com as descobertas dos paulistas sorocabanos – especialmente a de Pascoal Moreira Cabral – houve um esforço ainda maior para manter o domínio sobre as minas”, conta o professor, mestre e doutor em história pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e historiador do Instituto Memória do Poder Legislativo Edevamilton de Lima Oliveira.

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Desde a criação da capitania até a proclamação da independência do Brasil, em 1822, Mato Grosso foi administrado por nove capitães-generais. O primeiro deles foi Dom Antônio Rolim de Moura Tavares, nomeado em 1748 pelo rei Dom João V. Sua posse ocorreu em 1951 e, no ano seguinte, ele fundou Vila Bela da Santíssima Trindade, a primeira capital da Capitania de Mato Grosso.

“Alguns podem se perguntar: se a capitania foi criada em 1748, por que a capital só foi fundada em 1752? A resposta está na logística. A travessia do Atlântico levava cerca de 40 dias e, do litoral brasileiro até Cuiabá, no centro do continente, levava-se em média quatro meses e meio, majoritariamente por rios como o Paraguai”, explica o historiador.

A respeito do nome “Mato Grosso”, o historiador Lenine C. Póvoas, no livro “Histórias de Mato Grosso”, explica que ele foi dado por desbravadores após atravessarem uma grande e densa mata fechada entre os rios Jauru e Guaporé, na região da Chapada dos Parecis.

A escolha de Vila Bela da Santíssima Trindade, às margens do rio Guaporé, atendeu a orientações da Coroa Portuguesa de instituir a sede do governo em um ponto de onde fosse possível vigiar e barrar as incursões dos espanhóis.

“Rolim de Moura veio por terra, no lombo de mula. Ele foi o primeiro a mapear a região, calcular o tempo de viagem, nomear lugares e produzir os primeiros mapas da parte central do continente”, acrescenta Edevamilton Oliveira.

Conquista territorial – O professor e historiador afirma que a criação da Capitania de Mato Grosso foi essencial e permitiu que tratados de limites fossem firmados, como o Tratado de Madrid, de 1750, que introduziu o princípio do uti possidetis (quem ocupa, possui).

“Com tudo isso, podemos dizer com tranquilidade que, se não fosse a criação da Capitania de Mato Grosso e Cuiabá em 1748, o Brasil teria hoje uma configuração geográfica muito diferente. É provável que os espanhóis tivessem permanecido com terras que hoje formam Mato Grosso, Rondônia, Acre, Amazonas e parte do Pará”, frisa.

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Edevamilton ressalta ainda a importância de conhecer e valorizar o processo histórico estadual e convida a população a visitar o Instituto Memória do Poder Legislativo, que conta com grande acervo sobre a formação histórica e territorial de Mato Grosso, que inclui documentos, mapas e informações sobre a criação de municípios, divisão do estado e cartografia da organização histórica, geográfica e antropológica.

“Temos muitas razões para compreender a riqueza desse processo histórico e reconhecer sua importância, especialmente em um estado que se transforma diariamente, seja pela produção agrícola, pela pecuária ou pela chegada constante de novos habitantes. Reconhecer a história de Mato Grosso é uma missão que o Instituto Memória tem assumido, buscando fortalecer a identidade desse estado continental, fruto da coragem dos portugueses e luso-brasileiros”, conclui.

Lei 8007/2003 – Ao apresentar o projeto de lei, à época, o ex-deputado João Malheiros destacou a importância do estabelecimento de uma data oficial para comemoração do aniversário de Mato Grosso como forma de reafirmar a identidade regional, recuperar o sentimento de pertencimento e valorizar a cultura autêntica mato-grossense, que, em sua avaliação, sofreu perda significativa de referenciais históricos, geográficos e culturais após a divisão do estado, no final da década de 1970.

“Um povo sem cultura se parece com uma árvore sem tronco, maleável e fácil de ser moldada a interesses estranhos. Infelizmente, nem todos os povos, incluindo o de Mato Grosso, por motivos que não vêm ao caso, preservam e reverenciam sua cultura como deviam, e aí ficam quase na mesma situação de uma população que não a tivesse. Sem as referências culturais e históricas, costumes e valores construídos, às vezes por séculos ou até milhares de anos, se perdem a noção de nação e de comunidade e, com ela, se vão a autoestima e a autoconfiança. Daí esta planta, como um galho arrancado de seu tronco, tem como destino, inexorável, a extinção. Não é este certamente o caminho que queremos para o nosso povo”, diz trecho da justificativa da proposta.

Fonte: ALMT – MT

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POLÍTICA MT

Neri Geller desponta como principal aposta do Podemos para a Câmara Federal; Roveri surge como nome competitivo na chapa

A articulação política conduzida pelo presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi, começa a desenhar o cenário eleitoral do Podemos para 2026. Entre os nomes que compõem a chapa da legenda para a disputa à Câmara dos Deputados, o ex-ministro da Agricultura e ex-deputado federal Neri Geller aparece como o nome mais consolidado e com maior potencial eleitoral, enquanto o ex-secretário de Segurança Pública, coronel César Roveri, surge como uma das principais novidades da composição partidária.

Com ampla experiência política, trânsito consolidado junto ao agronegócio e histórico de atuação em Brasília, Neri Geller chega ao Podemos como uma das principais lideranças capazes de agregar votos em diversas regiões do Estado. Sua trajetória como ministro da Agricultura e deputado federal lhe garante reconhecimento político e forte capilaridade junto ao setor produtivo mato-grossense, considerado um dos mais influentes do país.

Nos bastidores, lideranças do partido avaliam que a entrada de Neri elevou significativamente o potencial competitivo da chapa. A expectativa é que ele seja um dos maiores puxadores de votos da legenda, contribuindo diretamente para o projeto do Podemos de conquistar até duas cadeiras na Câmara Federal nas eleições do próximo ano.

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Logo atrás aparece o coronel César Roveri, que ganhou protagonismo após sua filiação ao Podemos. Ex-secretário de Segurança Pública, Roveri entra na disputa respaldado pelo segmento da segurança pública e por um grupo político alinhado à gestão estadual. Sua chegada foi comemorada por Max Russi, que classificou o ex-secretário como um reforço importante para ampliar a competitividade da chapa.

Além da forte identificação com policiais militares, bombeiros e profissionais da segurança, Roveri também vem ampliando sua rede de apoios em municípios estratégicos, consolidando-se como um dos nomes mais promissores do partido para a disputa proporcional. Nos cálculos internos da legenda, ele figura entre os candidatos com maior capacidade de crescimento ao longo da campanha.

A estratégia montada por Max Russi busca combinar experiência política, representatividade regional e capacidade de transferência de votos. Dentro desse desenho, Neri Geller assume o papel de principal referência eleitoral da chapa, enquanto Roveri desponta como o nome capaz de ampliar a presença do Podemos em segmentos específicos do eleitorado.

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Com a nominata praticamente fechada e reunindo nomes conhecidos da política estadual, a avaliação entre dirigentes partidários é de que o Podemos entra na corrida de 2026 com uma das chapas mais competitivas de Mato Grosso, tendo Neri Geller como principal favorito na corrida por uma vaga em Brasília e Roveri como o nome que pode surpreender nas urnas.

Da Redação
Folha de Mato Grosso

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